Seu ouvido salvará sua conta bancária - ou outras coisas mais

Uma nova tecnologia biométrica promete transformar os barulhos feitos pelos nossos ouvidos em uma assinatura digital que permitirá nossa identificação para quem está do outro lado da linha - o banco ou uma seguradora, por exemplo. Em vez de perguntar suas informações pessoais para confirmar se você é quem diz ser, o atendente do outro lado simplesmente apertará um botão que fará seu telefone emitir uma série de barulhos (de curta duração e não enlouquecedores, esperamos) na sua orelha que confirmarão - ou não - as suspeitas.

O conceito, desenvolvido pela universidade britânica de Southampton, baseia-se no fato de que nossos ouvidos não apenas sentem, como emitem sons. Obviamente, esses sons são baixíssimos (de 0 a 5 Khz), e só podem ser capturados por microfones supersensíveis. Eles são chamados de emissões otoacústicas e, hoje, já são usados para detectar deficiências auditivas em bebês. São formados na cóclea pelo movimento das células capilares quando elas se contraem ou se expandem (quando ouvimos um barulho, essas células vibram, e a vibração é convertida em sinais elétricos transmitidos ao nervo auditivo).

Entre as aplicações possíveis para seu novo uso estão reduzir a necessidade de decorarmos tantas senhas, assegurar transações bancárias e compras realizadas por telefone e evitar que terceiros usem nossos celulares.


Como em toda a tecnologia biométrica (impressão digital, íris), para se tornar nossa assinatura, também as emissões otoacústicas precisam ser únicas em cada indivíduo. Para isso, será preciso captar minuciosamente a potência e a frequência do som emitido por cada pessoa (o que é possível, já que cada um de nós possui um formato único de ouvido), a fim de que cada barulho seja completamente distinto do outro.

O estudo para viabilizar essa nova tecnologia biométrica será feito em parceria pela universidade e pelo Conselho de Pesquisas em Engenharia e Ciências Físicas do Reino Unido. Porque os cientistas ainda não sabem dizer ainda se condições externas - beber, estar resfriado, possuir muita cera - podem modificar nossas emissões a ponto de inviabilizar nossa identificação.

via NewScientist.